Minha amiga Rosa Mattos lançará, fins de setembro, seu primeiro romance, com o sobrenatural dando o tom da história. Quem conhece sua prosa sabe da qualidade que teremos neste texto. Recomendadíssimo!!
No link, você terá mais informações sobre a obra
Paredes Vivas
Parabéns guria!!!
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Ferida
As
coisas estavam ruins. Mas tudo pode piorar. Deve ser uma regra universal,
alguma lei da natureza.
Começou
com o roçar de seus lábios em minha nuca. Como se uma lagarta, com as patinhas
em chamas, sapateasse em minha pele. Depois veio o toque em meus lábios e a
língua enfiada em minha boca. A sua estava cheia daquela umidade que constrói o
desejo com tanto afinco, que toda e qualquer reticência do caráter diante da
dúvida se desmancha como açúcar em água fervente. Havia tanto calor, tantos
espasmos entre virilhas que meu espírito se rendeu à carne como as faculdades
humanas se desfazem diante da beleza inflexível. Soltei-me em cada sulco dos
lábios, em cada pedaço de sua boca, em cada drapejo de sua língua, intumescida
para vibrar a devassidão na freqüência exata.
Então,
como se este advérbio estivesse atrelado a todos os melindres, ela furou-me as
expectativas em um Himalaia de caquinhos recolhidos da minha estupidez
luxuriosa. Fui arremessado de encontro às vaidades mais negras e turbulentas,
com tudo sendo rasgado, cortado e triturado. Por tudo quero ilustrar toda a esperança em ter encontrado a perfeição
que nós, machos, buscamos a vida toda em uma fêmea. A armadilha insidiosa do
querer fechou-se como o breu numa súbita queda de energia no meio da madrugada.
Um estampido. Um momento seco e intenso. Afastou-se, sentando logo à frente,
com a indiferença das gurias onde a perfeição das curvas a tudo permite.
Lambendo
o fio com a avidez das putas mais experientes, ela olhava-me com um afinco que
só notamos na essência daquela matéria nebulosa da qual os pesadelos são
feitos. A solitária gota, gorda e espessa, escorria lentamente pela língua fendida
no deslizar do fio, brilhando à luz ígnea da lâmpada que balançava cadenciada,
em um ritmo desdenhoso. Seu corpo, nu, tosquiado à perfeição, com os músculos rijos,
firmes e provocantes, provocava a Razão, rindo do confuso embate entre o terror
e o tesão. Levantou-se da cadeira rota, logo a frente, e aproximou-se. O sorriso
em seus lábios, manchados em vermelho, não combinava com aquele em seus olhos,
onde uma espécie de maldade brincava com a ingenuidade das santas mais
imaculadas. Atado com couro cru, encharcado pela água lodosa do balde ao lado, vi a
beleza translúcida, cravada no concreto das suas formas perfeitas, chegar-me a
ponto de empurrar o ventre contra meu nariz. Inspirei o mais profundo que pude
e o cheiro do seu sexo invadiu toda trama de receptores que minha fisiologia permitiu.
Entre as pernas, endureci. Ela riu. Um riso que parecia o som de jornal sendo
amassado.
A
lamina desceu com tanta fúria, socada com tanto vigor, que as estocadas
entravam e saiam com a cerimônia de um cachorro no cio. Quando seus músculos fatigaram,
afastou-se e desabou sobre a cadeira. A dor latejava-me todos os nervos e gânglios.
A vida ia rápido, sem tempo de, ao menos, olhar pra trás. Um instante antes de
cair nas trevas do esquecimento, a vi meter as mãos entre as pernas e
lubrificar o sexo com o sangue em profusão que lhe manchava cada nesga de pele.
Os dedos pareciam trabalhar habilidosamente enquanto seu lábio inferior era
mordiscado por dentes perfeitos.
As
coisas estavam ruins. Mas tudo pode piorar.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Impudicícia
As cercanias estavam parcamente iluminadas pelos postes
decrépitos que margeavam a vicinal. Andei, transido por um horror inexplicável,
que consumia cada célula viva, e morta, a constituir-me matéria e espirito, até adentrar a densidade sorumbática da vegetação. Inda hoje não consigo definir exatamente o que me impulsionou àquele lugar. Apenas a
natureza dos boatos? Ou a inefável descrição dos abençoados infelizes que
tiveram com ela? A curiosidade, neste
caso, não importa-se em dar explicações, apenas nos insta, ainda que o ignorado
nos custe alguma faculdade.
Cheguei a um ermo. Desolado e inóspito. Soturno como um
pesadelo do qual não podemos fugir, por mais que forcejemos. A vetustez
do endereço estava inscrita não apenas no limo e nas ervas daninhas que
vicejavam em cada recanto. Exalava através da atmosfera lodosa.
Sentei-me a beira de um tronco lutulento, com musgos
pululando, verdoengos. Havia caminhado por longas horas e meus pés cansados
reclamavam pausa. O fôlego arquejava, às custas da parca resistência física que
há muito perdera. Malgrado minhas caminhadas matutinas, o tabaco bem fez seu
trabalho.
Recuperava-me, quando ouvi.
Um inicio rugoso, um barulho taciturno e ímpio. Havia a certeza. Meu peito inflou-se de expectativa e daquele sentimento aflitivo que antecede o improvável, malgrado existir o desejo. Às minhas costas, as folhas podres avisaram. Os passos trouxerem o perfume da decadência e seu hálito brumoso roçou-me a nuca, eriçando pelos e alma. Os lábios tocaram-me o pescoço e senti o intumescido de sua constituição. Lábios gordos e molhados. Sói as libertinas os têm.
Recuperava-me, quando ouvi.
Um inicio rugoso, um barulho taciturno e ímpio. Havia a certeza. Meu peito inflou-se de expectativa e daquele sentimento aflitivo que antecede o improvável, malgrado existir o desejo. Às minhas costas, as folhas podres avisaram. Os passos trouxerem o perfume da decadência e seu hálito brumoso roçou-me a nuca, eriçando pelos e alma. Os lábios tocaram-me o pescoço e senti o intumescido de sua constituição. Lábios gordos e molhados. Sói as libertinas os têm.
― Esqueça ― sussurrou-me, com o fragor dos inocentes
corrompidos, ao ouvido.
Até hoje dizem que ela, caso seja, você, indigno e
néscio o suficiente a respeito dos vícios mais comuns e completamente
indiferente às virtudes convencionais, lhe surgirá como a um orgasmo.
Quantas vezes um já o afetou a ponto de sofrer antecipadamente
o seu fim?
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Não
Nunca estive tão próxima daquilo que procurei a vida toda. E, infelizmente, foi o momento mais distante de todos.
Hesitei, pois seria anormal não fazê-lo. E o habitual sempre exerceu-me grande influência. Desci a rua 15 em palpitações, com a expectativa atravessando-me cada fibra do espírito, cada gânglio da alma. Uma queimação fina, fininha, ardendo lá no fundo. Cheguei em frente à porta e congelei. Girei sobre os calcanhares, decidida. Vou embora! A abertura rangeu sobre as dobradiças. Meus olhos saltariam por sobre as órbitas, tão arregalados, se fosse possível. O coração veio à língua, e senti seu gosto intenso.
- Clara?
Engoli em seco e devolvi o coração ao seu devido lugar. Mas ele ficou a socar-me o peito com a violência dos raptados. Virei-me, tremendo.
- Oi, Emanuel. Eu...
O silêncio desceu rápido e pesado. E encarou-me e riu. E gargalhou. E apontou-me o dedo e sofreu espasmos de tanto rir. Senti o rubor arder-me o rosto e o vermelho tomar-me toda a face. Tentei organizar alguma coisa, mas faltou-me competência.
- Já sei, veio pegar os textos da aula de Sociologia de Comportamento, não é mesmo? Quer saber, não perdeu nada! O professor fez toda a matéria atingir os píncaros do tédio.
Concordei, com a boca aberta e a expressão atabalhoada. Ele entrou, indo buscar... o que mesmo? Como não encontrava, gritou.
- Clara, entre, por favor, acho que vai demorar! Não encontro nada neste caos!
Entrei. A pequena sala estava ligeiramente desorganizada. Mas era aconchegante. Estranhamente. Um sofá, uma poltrona e uma estante repleta de livros. Nada mais. Esperei alguns minutos e fui em direção a estante. Os livros eram, quase todos, muito velhos. Retirei um volume qualquer. As páginas amareladas denunciavam sua idade. Retornei-o ao lugar. Não havia televisão. Perscrutei melhor. O silêncio era uma espécie de fundação àquele ambiente. Notei, então, que tudo era insolitamente velho, antigo. Subitamente, um grande estrondo vindo do final do corredor logo à minha esquerda. E, novamente, o silêncio. Sepulcral.
- Emanuel? Tudo bem aí?
Nada. Perguntei novamente, mas, outra vez, apenas o silêncio respondeu. Como demorava, decidi ver o que estava acontecendo. Avancei no corredor.
- Emanuel?
Silêncio.
- Emanuel?
Cheguei à porta do que seria um quarto. Entreaberta, a empurrei, com cuidado. O rangido fino assustou-me, e minha respiração acelerou. Adentrei o cômodo. Uma cama desarrumada. Uma escrivaninha com vários livros empilhados desordenadamente, e alguns papéis ao lado dos tomos. Muitos estavam amassados, jogados ao chão. Aproximei-me. Haviam sido escritos. Uma caligrafia disforme, corrida, como se houvesse urgência. Uma brisa forte o suficiente para espalha-los barafustou pela janela. Uma folha viajou até a cama. Corri a juntá-la. Tudo estava borrado, ilegível. Menos a última linha. Aquela que me fez a alma despencar em uma escura agonia. A mesma da qual é feita os pesadelos.
Espero estar fazendo a coisa certa. Que Deus me perdoe. E o Diabo me receba.
As moscas voejavam excitadas e seu balé furioso atingiu o ápice assim que o descobri. Sua pele estava esticada sob o inchaço da putrefação. O fedor, como se houvesse surgido de repente, invadiu-me o nariz e não pude conter o vômito. Fugi em desespero e, antes de alcançar a porta, o mesmo retumbar de minutos atrás deu-se no quarto. Enregelei-me com a mão premendo a maçaneta. Um silêncio fúnebre abateu-se, até ouvi-lo:
- Clara? Já vai?
Não atrevi-me olhar para trás. Escancarei a porta e corri como se as pernas não fossem minhas.
Até hoje penso o queria seria das minhas faculdades se houvesse ousado responder.
Até hoje penso o queria seria das minhas faculdades se houvesse ousado responder.
Sôfrega
Eu poderia converter todos os sabores em desejos, mas não. Poderia escutar os pedidos e atendê-los, mas seria estupidez. Não que me faça algum mal. Absolutamente. Mas tornaria-me uma espécie de puta barata, sôfrega por qualquer nesga de atenção. Não, obrigada. Então, atendo apenas as entranhas, pois estas, bem sei, são as únicas verdades que conheço. As únicas que não tergiversam. As únicas a olharem-me nos olhos, e ver além deles.
Virei-me ao acaso e eles estavam lá. Tão ávidos, que seus paus arrebentariam o jeans, caso este fosse mais delicado. Seus olhos mesclavam depravações de toda espécie. Fitavam-me com tanto furor que, por um momento, quase senti-me lisonjeada. Excitada. Entornei, num gole apenas, o destilado. Como seria bom lembrar do sabor. Deixei o balcão e saí do lugar. Fora, o frio cortava. Intenso, indiferente. Tenho certeza que sim. Os postes mal conseguiam parir a luz que lhes deixava as lâmpadas. Fechei a gola do abrigo, meti as mãos nos bolsos e segui em frente. Alcancei a metade do segundo quarteirão. À exceção do vento que uivava, não havia mais ninguém. Saltaram à minha frente. Os mesmos olhares. Os mesmos membros rijos em suas calças apertadas. Piadinhas sujas. Palavrório fétido. Hálitos doentios. Empurraram-me ao beco entre os quarteirões. Espremeram-me contra a parede. Suas mãos metiam-se com força em tudo o que conseguiam agarrar.
Acho que gostei.
Línguas sequiosas drapejavam e me lambiam. Uma até mesmo enfiou-se em minha boca, e quase senti sua textura áspera, seu gosto azedo. Baixaram-me a calça. Uivaram como cães no cio. A calcinha foi arrancada com ferocidade. Ulularam novamente, babando.
Acho que gostei.
Línguas sequiosas drapejavam e me lambiam. Uma até mesmo enfiou-se em minha boca, e quase senti sua textura áspera, seu gosto azedo. Baixaram-me a calça. Uivaram como cães no cio. A calcinha foi arrancada com ferocidade. Ulularam novamente, babando.
- Meu Deus! - admirou um deles.
O frio era enregelante e minhas coxas teriam se arrepiado. Tenho certeza. Eles fremiram em impudicícia. Seus paus estavam todos expostos, esfregando-me, com a vontade estourando-lhes o espírito, além da carne.
A carne.
Um penetrou-me. Estremeceu e urrou de prazer. Como não notou? O frio...
Socava-me com violência, enquanto babava-me o colo. Os demais estavam transidos pelas perversão. O gozo chegaria rápido. Os outros instavam-no a este propósito. Queriam foder-me também. Parou por uns segundos. Justificou aos outros.
Socava-me com violência, enquanto babava-me o colo. Os demais estavam transidos pelas perversão. O gozo chegaria rápido. Os outros instavam-no a este propósito. Queriam foder-me também. Parou por uns segundos. Justificou aos outros.
- Quero ver a bunda!
Virou-me de costas e premeu meu rosto contra a parede fria... Tenho certeza. Cruzou-me as mãos nas costas e voltou a meter, desta vez "por trás". Ia e vinha num ritmo alucinado. Grunhiu e, rápido, jorrou-me a porra toda. Gritou como um demônio, arfando, rouco. Afastou-se, num safanão dado pelo outro.
- Sai logo, porra! Minha vez!
Este percebeu.
- Caramba, essa vagabunda está congelando!
E meteu, sem cerimônias. Montou-me como a uma égua. Rebolei, e ele transiu de excitação.
- Puta que o pariu, a vadiazinha está gostando!
Como seria a sensação? Talvez eu gostasse. Uma pena, mas nunca vou saber. O nó nas tripas urgiu. Virei-me para o idiota e sorri-lhe. Ele não cria. Assim como os demais. Segurei sua cabeça com delicadeza e entreabri os lábios. Passei-lhes a língua, como uma vadia faria. Eles rugiram. Puxei aquele que me fodia e enfiei a língua em sua boca. Mexia-a em todas as direções. Beijava-o com avidez, como se esta fosse devolver-me qualquer sensação. Mas só meu estômago tinha este privilégio. Cedi, então. Fazer o quê.
Arranquei-lhe a língua numa unica mordida. O grito era tão intenso que não sei o que lhe era pior, a dor ou o horror. Tentou se desvencilhar, mas mordi novamente, arrancando o lábio inferior até o queixo, puxando tudo até arrebentar num belo naco pendurado entre meus dentes. Mastiguei com avidez e engoli tudo.
O nó nas entranhas dessorou.
Os demais também, agora, berravam. Como garotinhas. Fugiram, deixando o amigo ali, em espasmos e gritos, pressionando o ferimento com as mãos, caído ao chão. Despi-me, então, completamente. Sentei-me sobre ele, esfregando minha boceta no seu quadril.
Arranquei-lhe a língua numa unica mordida. O grito era tão intenso que não sei o que lhe era pior, a dor ou o horror. Tentou se desvencilhar, mas mordi novamente, arrancando o lábio inferior até o queixo, puxando tudo até arrebentar num belo naco pendurado entre meus dentes. Mastiguei com avidez e engoli tudo.
O nó nas entranhas dessorou.
Os demais também, agora, berravam. Como garotinhas. Fugiram, deixando o amigo ali, em espasmos e gritos, pressionando o ferimento com as mãos, caído ao chão. Despi-me, então, completamente. Sentei-me sobre ele, esfregando minha boceta no seu quadril.
- Não me acha bonita? Gostosa? Por favor, me faça sentir alguma coisa. Alguma coisa além de fome.
Mergulhei-lhe com a boca escancarada. E comi até que as tripas ficassem entupidas.
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