sábado, 28 de novembro de 2009

Orexia



Dê-me. Agora escute. Tonitruante, não é mesmo? Sinta. Se concentre um pouco mais. Vibra terso, doce. Escorre tenro. Encharca-me de luxúria tonante. Tu és o teorema. Em respeito à verdade, muitos, forçoso dizer, o foram. Meu tirocínio há muito se perdeu. Ela mostrou-me onde. Apenas. E se foi. Uma rápida aprendizagem. Sem muitas explicações. Minha alma tornar-se-ia negra antes do desejo tempestuoso ditar-me as regras da talante inflexível. E como foi rápido. E como foi supino. Uma garota alcança o seio das trevas muito mais exultante. Nós tocamos o brilho do escuro muito antes. Extraímos os nutrientes da escuridão com muito mais intensidade. Aproveitamos sua semente com mais violência. Está entendendo, agora? Incline-se no ângulo adequado. Deixe a artéria pulsar célere, obedecendo o ritmo do músculo que constrange o doce vermelho pelos frágeis túneis. Ouviste o estrondo, agora? A sensação o atingiu? Pela Luz! É tão trêfego que só me resta aquiescer. O cheiro túrgido é-me truísmo ubíquo. O aroma, que está em toda parte, ao mesmo tempo, faz-me vesana. É a veia que me seduziu. Agora vou tocar-te a tez. Eles são frios. Assustam no primeiro contato. Então, pense apenas na volúpia carrasca que o assaltará logo em seguida. Machucam sim. Penetram o tecido, sôfregos, sulcando as fibras selvagemente. A dor será uma companheira esclarecedora, se souber apropriar-se de seus ensinamentos.

Inspiro o máximo possível, enchendo o fantasma de lascívia esquipática. O viscoso encarnado a correr urente em seus túneis recende lânguido, fustigando a dissoluta que grassa em mim. O monstro rutila em sua obstinação. Mais um que faz da estultice sua lápide. Me entrego à tarefa deliciosa. Invado, resoluta, o labirinto de veias e artérias que abriga, serpenteante, a tantálica bebida. Sequiosa, encosto a lingua na pungitiva ferramente. O monstro, mais uma vez, pulsiona em prurido. Meus olhos fulvos ardem. O apetite voltou.

sábado, 7 de novembro de 2009

LANÇAMENTO DO LIVRO "MARCAS NA PAREDE - CONTOS SOBRENATURAIS, DE SUSPENSE E TERROR!



Caros amigos, amantes da literatura fantástica, é com imenso prazer que divulgo o lançamento, dia 21 de novembro, do livro "Marcas na Parede - Contos sobrenaturais, de suspense e terror" da Andross Editora, do qual participo com o conto "Assombração". Que as sombras roguem pelo sucesso desta seleta!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Da série Resenhas!


Vejam vocês como são as coisas. Em um dia sem mais pretensões literárias, vasculhando as recheadas estantes da seção infanto-juvenil da biblioteca municipal de Não-Me-Toque (Isso mesmo! É o nome da cidade onde moro!) encontro uma obra chamada "Medo, Mistério e Morte", de um certo Carlos Orsi. Não "levei muita fé", a princípio. Mas apostei nas influencias do autor (ver minha resenha), e me dei bem! Muito bem, forçoso dizer!! Acontece, caros amigos e amigas, que descobri um dos maiores escritores nacionais de terror e ficção científica! Sim, o "cara" é reconhecido internacionalmente, e seus textos já foram publicados até mesmo na Argentina e nos EUA. Digitem o nome deste mestre em um "buscador" qualquer e leiam as resenhas sobre. No campo da FC e do terror, Orsi "Rules" (emprestando uma expressão usada pelo meu querido irmão, certa vez).
Então, adquiro "Tempos de Fúria" (por um precinho irresistível) com uma expectativa absurda. E...PQP!!! 9 anos se passaram entre "Medo..." e esta segunda obra, e nosso escritor evoluiu o que já era excelente na sua primeira coletânea. As influencias, agora, são outras: Robert E. Howard, Augusto dos Anjos, Jorge Luis Borges, Monteiro Lobato e outros gênios. O estilo está claramente diferente, mas as idéias...Mais revolucionárias e provocadoras ainda! São 6 contos que correm furiosamente pelas conjecturas delirantes do universo fantástico, com algumas "previsões" que podem, muito bem, se concretizar, como em "Questão de Sobrevivência", guardado os encantos necessários do gênero. Contos de Aventura e Terror, o subtítulo, complementam espetacularmente a idéia do título, emprestando ao leitor (que depois é inflexivelmente seduzido) a atmosfera necessária que precede o "consumo" da Litfan. Como de costume, farei um pequeno comentário sobre os contos que assombram as páginas furiosas desta obra espetacular da literatura fantástica nacional. Que fiquem, todos vocês, com a curiosidade pujante que nos move pelo mundo da Litfan!

Estes 15 minutos: Traficantes brasileiros tomam conhecimento de uma "falha" no espaço-tempo, após um dos seus viajar pelos poucos conhecidos endereços do Nepal. A "teoria" posta em prática, garante uma vantagem perigosamente sedutora. Utilizando-se de uma idéia incrível, Orsi nos pergunta até onde o conhecimento pode ser manipulado sem que as consequências dos detalhes sejam desastrosas. Eu realmente prestaria mais atenção nas considerações de uma conversa, deixando o interlocutor terminar sua fala. Que diferença isso pode fazer!!!

Questão de Sobrevivência: A personagem principal está, o texto todo, às voltas com sua consciência, que se debate incômodamente com os fatos, criados por situações que desconsideram o certo e o errado, uma vez que estes dois conceitos dependem muito da mais contundente e insofismável conselheira humana: a necessidade! Cheio de referências, que cutucam ideologias políticas e lógicas capitalistas, num confronto que, definitivamente, não fascina o vencedor, seja qual for, o texto nos carrega num vertiginoso passeio por ações tomadas em cima de justificativas que só aliviam a consciência se a personagem se apegar, como eu disse, ao que é necessário. E, aí, o certo e o errado ficam se equilibrando num corda muito bamba, sobre um abismo sondável apenas pela sua idiossincrasia. Não é muito justo, não é? Como Orsi nomeou o conto, é uma "Questão de Sobrevivência", nada mais.

Pressão Fatal: Uma homenagem à Conan Doyle e sua personagem mais notória, Sherlock Holmes, o insuperável detetive da lógica. Por meio de raciocinios lógico-dedutivos (nunca sei o que acompanha o hífen, agora) o inspetor Henri Bernardin vai descortinando os eventos que culminaram numa morte, aparentemente, acidental. O fato ocorre em uma estação espacial, o que enseja a habilidade de Orsi em versar sobre as idéias clássicas da FC. A pressão fatal do título ocorre metafórica e literalmente. Não entendeu? Acompanhe o oficial da Gendermeria e descubra!

Terra dos Mortos: Em todas as resenhas que li desta obra, este conto era, disparadamente, o mais elogiado da seleta. E, posso afirmar, agora, que estavam todos certos! Terra dos Mortos é uma narrativa sem precedentes na história dos contos nacionais contemporâneos! O ritmo está impregnado de uma velocidade assustadoramente hábil. A de nos conduzir por uma história cruciante, repleta de momentos tangíveis, tão poderosa são as idéias que nos vão arrastando durante as linhas magistrais de Orsi. Mais uma vez, sua extrema intimidade com a atmosfera Sci-Fi revela um mundo cheio de probabilidades alucinantes, onde estamos a todo instante nos perguntando sobre as possibilidades de tudo aquilo. As referências à um clássico deixam o clima ainda mais insano, com as criaturas dançando em nossa cabeça, aberta à todas elucubrações que surgem abundantes nas nossa obsedada atenção. Um clássico inquestionável, e um dos maiores contos de terror e ficção já escritos por um brazuca.

Desígnios da Noite: Corroborando com as outras críticas, digo que depois de Terra dos Mortos, os contos à seguir ficam com uma responsabilidade enorme. A expectativa que criamos é tremenda. O que nos espera agora, depois desta verdadeira aula de criação? Desígnios da Noite não é páreo para TM, mas ainda assim é um conto marcado pela competência do grande escritor. Como não poderia deixar de ser. A personagem principal se vê na obrigação (esta empurrada pela paixão romântica. A mais perversa e intensa de todas, necessário acrescentar) de investigar um acontecimento terrível. O sarcasmo e a indiferença com que esta trata as questões que a alcançam é, na minha opinião, o ponto alto do texto. À excessão da "ferida" que o passado lhe deixou, seu estoicismo é empolgante.

A Aventura da Criança Perdida: Conglomerados especializados em segurança são o mote para a história. O que estas empresas estão dipostas a fazer, para verem seus lucros recrescerem, nos lembram sensivelmente (rsrsrs) as ações empregadas por todas aquelas que são, hoje, indiferentes ao nosso futuro, aquelas que estão vestidas hipocritamente com o discurso ideologicamente correto, mas que não se fazem de rogadas na hora de fechar acordos escusos, visando interesses particulares. Lhe é familiar? Outra homenagem de Orsi ao esquema construído por Conan Doyle para a investigação que se valia do raciocínio lógico.

Pessoal, é sem medo algum de errar que recomendo este livro. Se você é amante da Litfan (só o fato de estar visitando este Blog já deve dizer alguma coisa), Tempos de Fúria deve estar na sua estante, na sua biblioteca particular. Se você não é muito fã, mas gosta de literatura de qualidade, adquira-o também! Uma enorme contribuição para o terror e a ficção científica nacional!

Caramba, gostei deste negócio de resenha. O próximo será "A Máquina Extraviada", de José J. Veiga. Já li os dois primeiros contos e...Paciência! rsrsrsrsr

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Lançamento do livro Metamorfose - A Fúria dos Lobisomens


Meu amigo, e escritor de inestimável qualidade, Lino França Jr, convida a todos para o lançamento de Metamorfose - A Fúria dos Lobisomens. Uma obra imprescindível aos amantes da Litfan, onde a mais impressionante personagem deste gênero literário é a protagonista indelével! Para quem gosta dos filhos de Licaão! Sucesso, amigo e irmão Lino!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Descoberta!


Em mais uma das corriqueiras investigações na biblioteca municipal da urbe que me acolheu, encontro um exemplar deveras escondido. Esquecido num canto opaco da sessão infanto-juvenil. Eis que me deparo com "Medo, Mistério e Morte", de Carlos Orsi Martinho. A capa sofrível, a editora obscura e o não (podem me amaldiçoar!) conhecimento do autor, criaram alguma resistência no momento do empréstimo. Lendo a introdução, do próprio escritor, me deparo com suas fontes de inspiração: E.T.A Hofmann, Poe, Stoker, Sheridan Le Fanu, H.G. Wells, Conan Doyle e Lovecraft. Com esta lista, não houve resistência que resistisse! Levei o surrado exemplar e, momentos depois, iniciei a leitura. Bem, Carlos Orsi, antes de tudo, é um dos autores mais conhecidos na Ficção Científica nacional. Seus textos são (pelo que pude constatar na web) reconhecidamente uns dos mais profícuos e originais da FC. Mas, eu não sou um fã declarado deste gênero, embora goste. E, o livro que citei passeia pelos campos do terror, meu gênero preferido! E foi por isso que acabei emprestando a obra. A diagramação é ruim, a estética toda é condenável, mas o conteúdo...Agora sei porque Orsi é um dos grandes nomes da Litfan nacional! Lendo as críticas, disponíveis na rede, sobre este livro, pareceu-me unânime entre os comentaristas que o único "defeito" da obra é a extrema influencia do escritor norte-americano H.P. Lovecraft. De como Orsi deixa-se "lovecraftiar" (acabei de criar esta expressão rsrs) em demasia na sua narrativa, embora os elementos desta estejam todos abrasileirados, o que é ponto para Orsi!
Não sou crítico literário, portanto esta observação sobre a influência do mestre e o exagero do Seu estilo no trabalho de Orsi, me foram, na verdade, extasiantes. Quantos de nós conseguimos escrever influenciados pelos gênios, mantendo seu estilo? A propósito, hoje Orsi não demonstra tão veementemente o estilo de Lovecraft, desenvolveu o "seu próprio", talvez porque esteja engajado unicamente, ao que parece, com a FC. Mas, o que li foi uma obra gigantesca do terror, contos que me fizeram mergulhar fundo nas águas envolventes deste gênero. Medo, Mistério e Morte é um volume único, um livro que deve figurar na estante de todos aqueles que perambulam apaixonadamente pelo universo do desconhecido. Um clássico "esquecido" do terror nacional!

São 7 contos de terror magnificamente escritos, que nos fazem consumir cada linha sôfregamente, ansiosos pelo que nos espera na próxima página, na próxima história. Pena que Orsi não escreve mais sobre terror, dedicando-se exclusivamente ao FC. Pena mesmo, pois hoje, mais amadurecido, suas idéias fariam estragos em nossa impressionável imaginação!

A Maldição do Ang Mbai-Aiba: Nazista, refugiado em solo tupiniquim, encontra, depois de muita procura, o fragmento de um livro amaldiçoado, capaz de "acordar" o Errante, um ser que é o começo e o fim do mais indizível mal. Pessoal, Orsi escreve como poucos e este conto, sobre zumbis, é um soco na boca do estômago, tão intenso, tão contaminado de horror. Ainda não li "Terra do Mortos", que dizem ser seu conto mais fantástico, mas imagino o que me espera, então, depois deste texto.

Noite de Samhain: Orsi nos mostra como os cristãos "emprestaram" alguns mitos nórdicos, algumas festividades, para criarem seu 25 de dezembro. Com esta idéia, o autor viaja assustadoramente numa história de vingança cheia de alucinações cruciantes, para infelicidade da personagem que fez uma tremenda "besteira". Sabem o que Zeus fez à Prometeu? Pois é, a vendeta que recai sobre a personagem deste conto é, diria, de deixar o supremo do Olimpo inspirado.

A Fábrica: É impossível não lembrar do 1984, de Orwell, e daqueles pequenos infelizes de Another Brick In The Wall, do Pink Floyd. Todos agrupados, massificados, "empurrados" à uma perspectiva de servilismo aflitivo. De que maneira isto constrói este conto? Bem, um professor possuido por um conhecimento atroz conduz seu pupilo à uma investigação que o fará rever seus conceitos sobre a arquitetura e suas "possibilidades". O que se esconde nos inofensivos ângulos das construções mais insossas, as cruvas francesas e suas finalidades, até mesmo a teoria espaço-tempo de Einstein, tudo termina (?) desvendando um absurdo latente, pavoroso.

Estranhos no ninho: Vampiros tratados de uma perspectiva histórica? O que os gregos escreveram a respeito destas criaturas? Ressalto que o termo "vampiro" não aperece no conto,o que alimenta ainda mais nossas conjecturas. Um arqueólogo recebe, por correio, um manuscrito instigante, e é convidade a passar um "tempo" em certa ilha, para investigar o restante da obra e seu valor acadêmico, e sua relação com o pequeno pedaço de terra cercado por água de todos os lados e seus antigos habitantes. O que ele descobre é que uma "visita" urgente da Inquisição, numa passado remoto, não foi de todo bem sucedida. Não, não pense no óbvio! Orsi nos conduz à uma história provocadora.

Projeto Cassandra: Aqui, o terror invade o terreno da Ficção Científica. Alienígenas num grande complô, fazem uso das nossas ambições, das nossas ridículas faculdades, para seu bem comum. A trama, quando descoberta, ou quando alguem chega perto de, é draconianamente defendida, com as criaturas lançando mão dos meios mais escusos para tal. Afinal, nossa moral terrestre está certa? O que fazemos com nossos semelhantes, com outras espécies, com todo o planeta, nos torna melhores que quem? O último diálogo termina nos incitando à uma ótima pergunta: Mesmo estando sozinhos (?), estamos melhor assim? Acho que não...

Ora Pro Nobis: "Orai por nós". Por quê? Apesar do Apocalipse (e toda bíblia, forçoso dizer) ser uma compilação de histórias muitos mais antigas, "emprestadas" de civilizações bem mais remotas, com vários anacronismos e incoerências, o que aconteceria se um acontecimento nos mostrasse que algumas de suas afirmações estão prestes a acontecer? Já não basta o inferno diário no qual o mundo está, há muito, afundado? Não, meus senhores e senhoras! Um "enviado" (por quem é uma boa pergunta) nos diz, através de atitudes insanas, que o fim será muito pior, e até ele chegar, este pior estará sempre nos rondando, nos mostrando seu sorriso encarnado.

Aprendizado: Junto com o primeiro conto, este é, na minha opinião, o mais influenciado pelo estilo narrativo de Lovecraft. Que maravilha, então! E é mesmo! Cheio de teorias sobre a geografia terrestre e as consequências de se contestar o "status quo", sobre a função social de certos ruminantes e seus segredos infames, o texto nos leva numa viagem (de barco, com as personagens!!!) inescrutável. Até seu fantástico final! Orsi escreveu este conto quando tinha apenas 21 anos, de acordo com minhas pesquisas. Nesta idade, a maioria está "vazia", com a cabeça repleta de estupidez e alienada ao extremo. Palmas para o escritor paulista e sua enorme habilidade com as idéias fantásticas, influenciado, ou não.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A Rua do Medo


Estava eu "garimpando" sôfregamente a biblioteca municipal da minha aconchegante cidade, quando encontro uma pequeno exemplar, surrado pelo tempo, com o insinuante título "A Rua do Terror". Estava na seção infanto-juvenil (A ilha do Dr. Moreau, Frankstein (texto original!), Histórias Extraordinárias (Poe), e muitos outros clássicos do terror também estão nesta seção!!!) em ultimo lugar, na ultima prateleira! Pois bem, peguei-o e fui direto à quarta capa (mania inescapável, admito) e leio o seguinte, no último parágrafo: "Na melhor tradição, porém, de mestres como Poe e Lovecraft..." Opa!!! Pára tudo!!!! Será que eu havia lido mesmo o que li? Voei para a segunda capa!!! Num trecho, o autor escreve: "...tenho, além deste arrepiante grupinho de histórias de terror (ou será terrir?)...". Agora vocês devem estar se perguntando: Peraí!!! Na melhor tradição dos mestres e depois "será terrir?", no mesmo livro? Alguma coisa está muuuuuito errada!

Empurrado por ineludível curiosidade, corri para meu humilde lar e iniciei obsedada leitura do título que se encontrava em minhas ansiosas mãos. Pois bem, aqui vai a impressão deste que vos escreve, sobre as 88 páginas deste volume escrito em 1995, e que abarca 7 contos do universo fantástico:

Por onde andava este sujeito?!!!! Júlio Emílio Braz nos faz o favor de escrever 7 grandes histórias onde o terror clássico passeia elegantemente pelo gênero! A bem da verdade, seu estilo não lembra Poe, tampouco Lovecraft mas, e daí? Sim, e daí? Pois Júlio tem seu próprio estilo. Aquele que só os grandes escritores possuem. Uma peculiaridade que sinaliza o talento inato, a facilidade em usar as palavras para nos seduzir. Coisa de gente grande, não é mesmo? Fui pesquisar sobre o moço na web e descobri que esta foi, ao que me parece, a única obra em que o escritor mineiro perambulou pelo terreno do terror. Puxa vida! Que pena, se assim o for mesmo, pois poderíamos (os apaixonados pelo terror) regozijar ainda mais, caso encontrássemos mais exemplares, deste mestre desconhecido (?), no universo do medo. Bem, aqui vai a relação dos contos e uma brevíssima (quem ficou curioso, corre no estante virtual!!) introdução:

A Turma do Alfabeto: Um grupo de garotos inicia um flerte perigoso com o mundo da magia negra e acaba tendo uma experiência, digamos, perturbadora.

O Homem Velho: Pais insensíveis, mal-agradecidos e com o coração cheio de cruelade merecem o quê, na sua opinião? Pois, os desta história acabaram encontrando algo com uma fome inescrutável! Depois deste conto, todos os pais serão mais amorosos!

Carta para mamãe: Quem disse que já viu tudo sobre vampiros, é porque nunca pôs os olhos neste conto! Dá pra misturar crítica (séria) à relacionamentos familiares, e ainda construir uma história de vampiros das mais originais e sangrentas? Dá sim. Júlio Emilio, que o diga.

Coraçãozinho verde das estrelas: Esqueça Alien e Predador. Esqueça todo ET malvado que um dia você viu nos cinemas e nos livros. Posso estar exagerando, mas o bicho deste conto aqui é o mais insano que já pos os pés (?) neste planetinha infeliz. Ah, aqui, outra vez, Júlio faz uma bela crítica à valores familiares há muito esquecidos.

Bicho-papão: Que título mais besta, não é mesmo? Garanto, não é! Nas mãos de Júlio, o inferno que passávamos, quando crianças, nas mãos desta personagem idiossincrática ganha um novo conceito! O conto todo mescla passagens de tensão com humor, terminado de maneira surpreendente. O motivo do bicho, bem...Quando você ler, dará boas risadas e ficará esperto com armários e afins, muuuuito esperto.

A morada do Demônio Negro: Sabe o Bulling (é assim que escreve?), aquela prática antiga, na qual um garoto era pego "pra Cristo", na escola, e sofria horrores nas mãos de alguns valentões (ou seria covardões?). Física e moralmente? É isso aí! Aqui, o escritor navega nestas águas, oferecendo-nos uma viagem alucinada, na qual torcemos feito loucos para chegar logo ao final, só pra ver os "trogloditas" se fu...E eles se, e como!!! Outra vez, Julio nos faz pensar, aqui sobre as relações de poder e suas sequelas. Lembrei até de Ralph, Jack e porquinho, de O Senhor das Moscas....

Efeitos Colaterais: A industria farmacêuica é inescrupulosa, certo? Muito certo! Mas, toda a indústria? Bem, não sei, mas que alguns laboratórios não medem esforços para verem seus lucros se avultarem, isso é certo. Quem assitiu O Jardineriro Fiel, sabe do que estou falando. e aqui, Júlio nos coloca numa posição provocadora: Você lê a bula do remédio que toma? Já viu o "calhamaço" de efeitos colaterais de uma simples aspirina? A ganância de um farmacêutico, que se deixa seduzir pelos "incentivos" de um laboratório farmacêutico de reputação duvidosa acaba criando uma desgraça (literalmente) inominável. Os detalhes fornecidos pelo escritor chegam a "cheirar", para nossa infelicidade.

Bem, galera, é isso aí. Fiquei abobado com o talento deste escritor, que me fez roer as unhas, pensando, elucubrando: Pô, quando crescer quero escrever assim!!!!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Contos do Crepúsculo e do Absurdo


Galera, é com satisfação que divulgo no Contos Ominosos uma grande contribuição para a Litfan nacional. Falo do livro "Contos do Crepúsculo e do Absurdo", do escritor gaucho, e amigo, Alessandro Reiffer, dono do blog Arte do Fim. Para quem conhece os textos de Reiffer, sabe que ele possui uma escrita desafidora e elegante. Para quem não, corra agora até o seu blog e confira o que irá encontrar nesta pujante obra. Para quem deseja adquirir o volume, entre em contato com o autor através do seu blog.