Remake de I Spit on Your Grave, filme trash de 1978 considerado pela crítica especializada como o pior já feito em todos os tempos (eu não assisti original, mas acho difícil ser o pior já realizado, quando temos, ficando só na última década, por exemplo, um número constrangedor de porcarias produzidas pelo mainstream hollywoodiano ), a atual versão é, de acordo com as resenhas que li, muito fiel à primeira. Doce Vingança, que custou 1,5 milhões de dólares (modestíssimo para o padrão norte-americano) foi um fiasco na semana de estréia, conseguindo um longínquo 45º lugar. A critica parece que não se surpreendeu, pois na maioria das resenhas que li na rede, o projeto foi muito mal avaliado. Agora, como não costumo dançar conforme a música, digo a todos aqueles que, às vezes, navegam por este blog: eu definitivamente não concordo! Doce Vingança é um prato cheio para quem gosta da sétima arte feita visceralmente (intensa, profunda) sem ocupar-se com a hipocrisia puritana que vomita uma coisa, e faz exatamente outra.
O mote é bem simples: olho por olho, dente por dente. Regra que, Gandhi nos disse, deixará a todos cegos e banguelas, se seguida. Mas, contextualizando a situação pela qual a personagem principal passa, é impossível não torcer pela aplicação da lei de Talião. A personagem é espancada, humilhada, estuprada. Tudo até o limite. As cenas são tão verossímeis (alguns diriam apelativas) que ao final só nos resta pedir o óbvio o mais rápido possível. Do que estou falando? Da vingança, ora bolas! E ela vem de maneira incomodamente satisfatória para o expectador! Avassaladora, quero dizer. Sem reticências morais, conflitos de consciência, ou qualquer outra questão filosófica aparentemente mais profunda, Sara Buttler (ao voltar do mundo dos mortos) cria um universo, dificilmente imaginável, de dor e sofrimento para seus algozes. E eu digo: que beleza! Doce Vingança é uma oportunidade rara de testarmos nossos (agora sim filosofando rsrs) limites éticos e morais. De refletirmos sobre a dualidade do mal (quando você der de cara com o xerife, vai entender) em função dos nossos interesses particulares. E de pensarmos sobre os limites da nossa natureza quando testados ao máximo.
Doce Vingança não é, nem de longe, o melhor filme de terror que já assisti. Mas é, de longe, muito melhor que as roubadas sucessivas, e irritantes, nos apresentadas pelo cinema deste gênero ultimamente. Eu aconselho. Assista, e torça por Sara. Aliás, mesmo que não, mesmo que seus valores te impeçam de tal atitude, ainda assim um leve sorriso será esboçado em seus lábios, ao final. Assim como na personagem principal. Espere pra ver.

1 Resmungos:
Eu gostei, deve ser a veia sádica disfarçada com o senso de justiça feminista rs
Postar um comentário