domingo, 3 de julho de 2011

Resenha: Caça as Bruxas



Caça as Bruxas (Seasons of the Witch), 2011, é filme de terror ou aventura? Eu realmente não sei. Realmente mesmo. Explico: a meu ver, esta película não consegue atrair-nos para nenhum dos gêneros perguntados! Sendo assim, continuo perguntando e vou sem resposta. O título faz você, incauto expectador, acreditar que o filme tratará de...bruxas, obviamente. O começo (comecinho) até corrobora esta crença, mas depois...
Bem, a estrela principal do filme é o notório Nicolas Cage, que já fez bons filmes (Senhor das Armas, Despedida em Lãs Vegas, Olhos de Serpente, Adaptação, A Outra Face), mas que tem se aventurado, ultimamente, em projetos nada interessantes. Caça as Bruxas é um destes infelizes exemplos.
A premissa é a seguinte: Dois Cruzados – cavalheiros das famigeradas Cruzadas da igreja católica – resolvem deserdar depois que um deles (Cage) se dá conta da matança estúpida que ajudou a perpetrar em nome de Deus (conquanto tente justificar no momento da deserção que fazia aquilo tudo por crer mesmo estar sendo um instrumento de Deus e não da igreja. Que burrinho...) A partir daí, passam um tempo vagando, sempre fugindo de um encontro com os soldados de Deus, pois deserção é punida com a morte (não consigo parar de me perguntar por que o exercito Cruzado não os prendeu na mesma hora em que abandonaram as fileiras santas. Enfim...) quando se deparam com uma cidade. Como precisassem de mantimentos, e cavalos novos, resolveram jogar com a sorte e visitá-la (a cidade), apesar dos leves protestos e avisos de Felson, amigo da personagem de Cage. Lá, descobrem que a peste negra (a bubônica, me pareceu) acometeu quase todo o povoado (matava 3 a cada 4 infectados) e que esta é provocada por uma bruxa que fora capturada nas redondezas. (como os captores sabiam que se tratava de uma? Simples, a infeliz foi encontrada andando sem rumo e dizendo palavras desconexas. Quer mais prova que isto?)
Lembram que o amigo de Cage resistiu à idéia de irem para a cidade? Pois não é que estava certo! Os dois são descobertos e presos. Como eram o suprasumo dos Cruzados, e por isso famosíssimos, o cardeal responsável pela cidade, também acometido pela peste negra, incumbes-lhe de, junto a um padreco, escoltar a maldita bruxa até um mosteiro onde, lá, os monges possuem um exemplar do livro de Salomão, que tem o poder de exorcizar tudo quanto é coisa ruim e, deste modo, salvar todo mundo da famigerada doença. Honrado Cage aceita, mas apenas se a menina (isso mesmo, a bruxa é uma linda garota) tiver um julgamento justo por parte dos monges. Ah, e serem absolvidos do crime de deserção, é claro. Não são bobos nem nada. Ou são? Então começa a película! O mosteiro fica a cerca de seis dias de viagem e esta não será nada fácil, obviamente. Obvio até demais. A menina, ou bruxa, já na primeira noite, tenta uma fuga. Insidiosa, faz com que um dos responsáveis pela escolta se aproxime, junto com o padre, e vapt-vupt! Foge para uma pequena vila, ou coisa parecida, e durante alguns chatíssimos minutos de tentativas fracassadas, por parte do diretor, de causar algum suspense nas cenas de perseguição, um dos perseguidores acaba estupidamente morto e a guria é capturada novamente. Mais a frente, depois de algum rolo de filme desperdiçado na baboseira do roteiro, a maldita guria arma outras da suas. No meio de uma floresta sorumbática, recruta uma alcatéia dos infernos para dar cabo daqueles que a escoltam. Os lobos falham miseravelmente. Na verdade, quando estão deixando o lugar da armadilha, pensando ter ser livrado dos lupinos, eis que estes surgem novamente e nhac! Mais um morto. Matam o guia (sim, como não era possível confiar nos mapas que são apresentados antes da jornada, Cage pergunta se alguém já havia feito o caminho até o mosteiro. Preocupadamente o padre hesita e diz...”sim, apenas uma pessoa”. Você pensa que será alguém importante na trama, mas...)! E vocês pensam que isto desespera os abnegados servos do bem? Que nada, seguem em frente. Tudo bem, Cage enche o saco e resolve dar cabo da beldade, agora convencido da sua bruxisse. Mas hei que o padreco intervém e numa manifestação de retórica dispensável..não convence o ex-Cruzado! (eeeeee, até que enfim, você diz, alguma originalidade). Que nada, seu amigo Felson o faz, mostrando que, logo ali, no cume de uma montanha, está o mosteiro. O que nos resta? Aguardar o final idiota que se apresentará. E, meus amigos e amigas, este é um que merece o adjetivo que acabo de usar. Se não, vejamos: a bruxa não é bruxa. É um demônio (por que o nome bruxa no título???!!!). Que não sabia onde estava o livro que pode mandá-lo pros infernos literalmente. Mas, o chifrudo mostra, numa cena, que tem poderes (como todo demônio que se preze) que lhe garante saber da vida e das circunstâncias mais impossíveis das outras personagens.
Mas, mas, ele não sabia onde estava o livro!!!! Incrível.
Precisou forjar uma possessão de bruxaria numa pobre coitada para que fosse levado até o lugar. Ei, mas, minutos atrás, ele mesmo, o capetão, envia um batalhão de lobos para trucidar todos aqueles que o estão levando até o mosteiro! E se os lobos fossem bem sucedidos? O demo iria parar e pensar, tipo assim: ops! E agora? Acho que fiz besteira. Façam-me o favor, senhores roteiristas. Subestimar a inteligência alheia tem limites. E não para por aí o insulto à sua capacidade cognitiva, caro expectador. O super todo poderoso demo não dá conta de imediato da galera que o levou até o “esconderijo” do livro e foge. Isso mesmo. Mas é só para que os roteiristas conseguissem fazer mais besteira ainda com a história. Os motivos que levam o coisa-ruim a “dar um tempo” não fazem diferença. Que se danem estas pertinentes explicações. De repente, os heróis descobrem que os monges estão todos mortos! Sim, a peste lá chegou, e sabe por que? Por que o demoniozão sabia que estes estavam fazendo uma cópia do livro!!!! E resolveu mandar a peste até lá e zoar com os santos, dizimando todo mundo! Estão entendendo o absurdo? O demo não sabia onde estava o livro. Se apossou do corpo de uma coitada por que sabia que esta seria acusada de bruxaria e levada a um mosteiro para ser exorcizada com o uso do livro do tal Salomão (tá, eu sei quem foi este senhor, mas não vem ao caso). Mas ele, o demo, sabia que estavam fazendo uma copia. E precisava dar fim aos copiadores. Mas, então, me expliquem como cargas d’água o infeliz do demônio não ia saber do endereço do bendito deste livro??? Eu desisto. A galera de Hollywood não esta mais nem aí para coerência nas idéias, nos pressupostos, em nada (dããã, novidade) e chutou o balde. E se vocês pensam que isto foi tudo. Nãnãninãnão. Mas, querem saber? Acho que já escrevi demais sobre esta completa e decididamente dispensável obra cinematográfica (isso é u eufemismo. Para porcaria!). Tudo no filme é ruim (a não ser a parte onde o demo chama o padreco de hipócrita e diz que sua igreja matou e torturou muito mais gente em função dos seus interesses particulares que qualquer demônio havia conseguido. E, bem, a História está aí para assinar embaixo.) Roteiro, direção, atuação. Até mesmo a fotografia pesa por demais a mão nas cores clichês de filmes deste gênero. Que gênero? Sei lá, estou tentando descobrir até hoje. Melhor. Estou nada. Já esqueci esta expressão de incompetência cinematográfica. Fui.           

2 Resmungos:

Rosa Mattos disse...

Aee, Victor, tua resenha tá melhor que o roteiro do filme. rsrs

Assisti este filmeco no sábado, meio com pé atrás porque não gosto da atuação de Nicolas Cage. O título é uma pegadinha. affee Não tem pé nem cabeça o enredo, chega a ser engraçado o tanto de absurdo que tem a história.

Bom, pra não dizer que o filme é uma caca total, o início é ótimo.. a cena dos lobos +- e o restante perda de tempo. Aquela parte em que atravessam a ponte então!! como podem iniciar um filme com uma atmosfera e depois transformar tudo numa piada sem nexo?

Aplausos pra tua resenha que ficou show!!

Abraços/Vou tomar qq coisa fervendo agora pq este frio tá d+.

Luiz Poleto disse...

Um voto para que Victor vire roteirista em hollywood! :)

Show de resenha, por sinal.