Estou a escrever um romance onde os vampiros são as personagens principais (mais um romance vampiresco? Ninguém merece! rsrsrsrsr). Por isso mesmo, estou, também, a ler tudo o que consigo encontrar sobre o tema. Por tudo, leiam-se livros. Já li alguns, senhoras e senhores, ao vivo e na rede. Faz, obviamente, parte da pesquisa necessária para se construir um texto. Tudo bem, ainda há muito o que escrever, e muito mais ainda o que ler. Mas, nesta caminhada, deparei-me, na maioria das vezes, com projetos decepcionantes, narrativas pouco empolgantes, como precárias contribuições ao tema em questão. E isto é, essencialmente, uma opinião pessoal, que fique bem claro.
À medida que me interesso por uma obra, considero resenhá-la aqui no meu espaço, tendo sido este interesse agradável ou não, ao final da leitura. Hoje falarei de A Terra dos Vampiros, escrito em 2007 e publicado em 2008 aqui no Brasil, pela editora Planeta. Vamos ao caso.
O titulo original, Fangland, quer dizer exatamente terra das presas. Pertinente à um livro sobre vampiros não é? Sinto muito, mas não. É apenas uma metáfora usada pelo autor para falar sobre o funcionamento das engrenagens de uma corporação televisiva. E só. Tudo bem, até aí nada de mais, se não fosse um recurso exageradamente usado. Sim, o escritor foi produtor de um célebre programa jornalístico americano (60 minutes) e, me parece, usa os vampiros (em itálico por que não é bem isso que esperamos) como pano de fundo para descrever os métodos que imperam neste tipo de empresa midiática. É preciso fazer justiça: John Marks escreve muitíssimo bem! O modo como usa metáforas para explicar situações reais é impressionante. Mas, para mim, não bastou. Na hora do “vamos ver”, de nos dar uma história empolgante, onde os vampiros nos fazem temerosos, receosos da nossa frágil condição humana, o autor falha. E, olha que a idéia é original. Mas originalidade não garante um grande enredo, não é mesmo? Vampiros que precisam de uma faca grande para cortar gargantas e beber-nos o sangue (para ilustrar seus argumentos) são, eu diria, muito decepcionantes. As personagens principais, Evangeline Harker (não é uma referência ao Johnatan Harker, de Drácula?) e Íon Torgu (o vampirão mor do romance) não conseguem sustentar a trama, uma vez que parecem ter o carisma de uma caneta bic (li isto certa vez e caiu como uma luva aqui). A trama começa bem – não muito – e vai se confundindo, tornando-se prolixa, demais, à medida que avança.
Definitivamente, o autor, para este que vos escreve, perdeu-se numa idéia que tinha sim tudo para dar certo. Mas não deu.
A Terra dos Vampiros promete aquilo que não pode dar, se você procura um livro sobre estes seres. Mas, se tiver oportunidade, leia assim mesmo. Quem sabe você não encontre ai o que eu não consegui.

1 Resmungos:
Victor, estás escrevendo um romance sobre vampiros? Já tem título?
O tema está sendo explorado à exaustão, mas romantizaram tanto, que ao invés de sentirmos temor, sentimos afeição e empatia pelo personagem. Talvez porque o foco seja a força do amor e não a da maldição eterna. Ou talvez pela figura de um vampiro belo e sedutor, de tal modo que se instaure um fascínio em ser vítima do mesmo. Será a beleza o motivo da atração, no lugar do pavor?
Quando estiver pronto, quero ler, hein? Abraços/!!
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