"Esta é a história de vampiros que você não pode perder...Um livro com a força dos épicos". Ninguem menos que Stephen King o diz, na quarta capa.
Encontrei (mais uma vez minha querida amiga biblio!!!) este livro na biblioteca municipal da minha cidade. Estava procurando por qualquer livro que falasse sobre vampiros e, por acaso, este estava num amontoado de volumes em cima de uma mesa, enquanto a prateleira era limpa. A capa, como já li em algumas resenhas, lembra muito "A Cabana", famigerado best seller de auto-ajuda, ou coisa que o valha. E lembra mesmo! Todavia, resolvi ler a orelha e depois a quarta capa. Na hora fui tomado por uma curiosidade irresistível e o emprestei, pois as semelhanças com a penosa obra citada param por aí.
São mais de 800 páginas, o que faz a maioria desistir. Mas, esta super volumosa história (primeira de uma trilogia; isto mesmo, ao final você fica tomado pr aquela sensação de abandono gostosa, que todo bom livro faz o favor de deixar) é uma luz no túnel entulhado de lixo da literatura especulativa atual. Tudo bem, a premissa não é nada original, quem leu "Eu sou a lenda", ou "A ultima esperança sobre a terra" (mesmo livro com nomes distintos) não se surprenderá com a idéia do autor. Um grupo de cientistas americanos (sempre eles) vai ao coração de uma famosa floresta sul-americana atrás de uma civilização há muito extinta, que a principio era apenas uma lenda, atrás de uma cura para doenças como cancêr. Mas os militares (olhem eles aí de novo) é que patrocinam a excursão e tem outras finalidades, como é lugar comum, para a descoberta que se dá. Depois de sofrerem o inferno neste local, tanto cientistas como mlitares são dizimados por forças imprevistas e os sobreviventes são resgatados, mas com um detalhezinho: um deles está infectado por um vírus (olha o Richard Matheson aí!) que o transforma numa criatura terrível, praticamente indestrutivel e com sede insaciável por...sangue!!! Eita nóis!
Daí pra frente é o seguinte: esta criatura é mantida em uma instalação militar confidencial; logo o governo estadunidense começa a "recrutar" condenados a morte para experiencias com o sangue do "bicho"; são criados outros 12; um "acidente" liberta um deles e pronto, a festa está pronta. Logo, todo o país, todo o planeta está tomado.
Agora você deve estar se perguntando: então, onde está a luz no tunel que falei antes? Na construção do enredo! As personagens são trabalhadas com tamanha compexidade psicológica numa trama tão bem amarrada e construída, que a falta de originalidade é apenas um detalhe sem importância, por mais sem sentido que isso pareça.
Amy, Wolgast, Peter, Alicia, Sara, Michel, Theo, Mausami, Caleb e tantos outros, nos fazem torcer, vibrar, na suas lutas internas, e no embate contra aquilo que está para acontecer e contra o que está estabelecido: o Caos!
Os vampiros (que no decorrer da trama você nem pensará neles como um), ou virais, ou fumaças, são seres amedrontadores, mas com alguma coisa, as vezes clara, outras tácitas, que nos faz pensar sobre nossa natureza e como ela dá vazão à atitudes monstruosas quando surge a oportunidade (em muitos momentos eles, os dracks, outra designação, são metáforas do desespero humano diante de catástrofes iminentes) e como lidamos com isso.
Bem, galera, eu recomendo fortemente A Passagem, pois é literatura de altíssima qualidade que extrapola sua intenção fictícia, usando suas personagens deliciosamente construídas para nos mostrar como podemos nos enganar a respeito do nosso conceito sobre monstros. E olha que os vampiros deste romance são as piores coisas que você já pode elucubrar nos ultimos anos de literatura fantástica.

1 Resmungos:
Já tinha visto esse livro, me interessei. Mas como está difícil encontrar histórias bacanas no tema!
Vou tentar ler esse...
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