Uma singela homenagem ao, provavelmente, maior escritor que estas terras tupiniquins já pariram!
Joaquim. Tranqüilo. Este espírito venturoso seguia em frente. Enquanto vencia os metros que se lhe amontoavam adiante. As células nervosas em circunlóquio intenso formavam um pacto interessante. Joaquim. Tranqüilo. Ia considerando. “Não se ama duas vezes a mesma mulher!” É isto. Mas sabia o sujeito que o predicado era deveras difícil. Trajeto cheio de jocosidades esse seu. Alice em seu país não vislumbrou mais maravilhas. Oxalá ficasse nestas idéias. Joaquim. Tranqüilo. Mas trôpego. Também no espírito. “O amor é o egoísmo duplicado”. De circunlóquios para colóquios. Pobre mancebo já adiantado no tempo. Mas tranqüilo. Como podia? Bom, é que na verdade “lágrimas não são argumentos”. E se não o são, vou em frente. É preciso. E mesmo se fossem. A distância vencida, disse em alarido, para a mesma: “Estás morta! Posso elogiá-la à vontade!”.
O portão oferecia todos os préstimos. Por favor, Joaquim, entre. Faça uma mesura, como é do seu gosto, todos o sabem, e entre. Ao que Joaquim de bate pronto retrucou: “Eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado”, fique sabendo. Aceito o convite! Momentos tensos.
Toco a madeira centenária da porta que, à sua revelia certamente, tornou-se figura geométrica, e adentro a inadiável sentença? Tenho a chave. Joaquim. Agora não tão tranqüilo. Considerou voltar. Considerou desconsiderar. Afinal, “esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito”. Mas esquecer o quê? O que tinha? Apenas sugestões insidiosas. Em sua sala estava. Seus domínios o receberam com um silêncio denunciador. Logo ele tão loquaz na sua rotina. Que insidia, vasto cômodo! Esquadrinhou muito bem as conseqüências, caso toda sugestão pérfida possuísse o veneno revelador da verdade. Agarrou-se na esperança de que fosse mentira, afinal a “mentira é muitas vezes tão involuntária quanta a respiração”.
Joaquim aceita o jogo das resoluções! Agora faz-se imprescindível, tal. E Joaquim obedeceu. Em cômodo contíguo ao seu pôs-se a labutar o doloroso fato. “O melhor drama está no espectador e não no palco”. Como este axioma não produzia alívio nenhum! Joaquim! Constituíste prova sonora! O que mais queres homem? Espere, não fales assim. Tu bens sabes que “a vida é cheia de obrigações que a gente cumpre por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente!” E tenho para com esta, mais do que consegues perscrutar, consciência equivocada. O irrefutável apelo do barulho que me afligiu momento atrás pode provocar-me o engano fatal, pois “não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem”. Seguimos então! Bem aventurado serei, pois elucidações triviais nascerão do meu disparate.
Em riste de frente a porta com função de separar o joio do trigo. Joaquim. Definitivamente intranqüilo. Os anos já lhe haviam concedido as agruras que lhe são pertinentes. Joaquim, reflexivo, em exultação insólita. Ah! O amor! “O amor é o rei dos moços e o tirano dos velhos”. Sim meu amigo, não duvides disto. Chegará a hora de todos testarem tal aforismo. O gosto é de um amargo só.
No leito o destino de suas preces observava inconformada tal ousadia. Que situação pouco valorosa. Joaquim enquadra o cenário numa arabesca armação. Talvez este floreio retire um pouco do ridículo trote que o destino estava a lhe pregar. “O ridículo é uma espécie de lastro da alma quando ela entra no mar da vida; algumas fazem toda a navegação sem outra espécie de carregamento”.
- Tu conseguirás segurar o leme?
***
Joaquim vive bem. Outros costumes o assaltaram. É homem de idéias mais claras. Vive grávido delas. Pari uma atrás da outra. O papel que o diga. A pena pede arreio. Mas ele continua firme. Continuou até o fim. Uma vez, antes de ir para o panteão das letras, alguém lhe perguntou:
- Então Joaquim, o que você acha desta vida, hein?
- “Não há decepções possíveis para um viajante, que apenas vê de passagem o lado belo da natureza humana e não ganha tempo de conhecer-lhe o lado feio”. Este era Joaquim.

1 Resmungos:
Um mestre da língua portuguesa, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta - Joaquim mereceu a homenagem.
Sou admiradora confessa de Machado de Assis. Basta ver a foto do meu perfil, em que estou devorando com meus olhinhos uma de suas obras.
Grande abraço, amigo Victor!!
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